ZIRIGUIDUM


O enredo a Tradição da Velha Bahia deu um terceiro lugar à Acadêmicos das Braunes naquele carnaval de 1974, em que a Vilage festejou seu Jubileu com Luzes da Ribalta e a Saudade varreu a avenida com As Quatro Estações do Ano.  Ainda existiam a Império de Olaria, o Terreirão e a Alunos do Samba, estava adormecida e só retornaria a avenida em 77.


As melhores lembranças que guardo da verde-e-rosa sempre são marcadas pela presença forte e querida do Zé do Patrocínio, um mecena da escola, um anjo da guarda que jamais permitiu que a escola fizesse feio na avenida. Afilhada da Estação Primeira de Mangueira, as Braunes  já havia se destacado com Guadalajara, Transamazônica e o Folclore Brasileiro, mas o melhor ainda estava por vir.
Mocinha e Delegado, míticos e inesquecíveis porta-bandeira e mestre –sala da Mangueira, desembarcavam quase sempre por aqui, ao lado de Dona Zica, Dona Neuma, entre outros, para uma feijoada ou um cozido, e davam aulas do bailado para os nossos talentos friburguenses. Carrasco era um deles, Eduardo Rodrigues, Bira e mais tantos outros, ao lado de Nazareth, Fabíola, Verinha, Lúcia...




A Acadêmicos das Braunes ocupava um terreno no nobre bairro Braunes, bem no coração da cidade, ali edificou sua pequena quadra que reunia gente da melhor qualidade. Era comum que os veranistas, que mantinham suas residências por ali, se integrassem à escola, ao lado da comunidade e dos baluartes como Elisa e Zé Walmir, Jaine e Zé Aucar, Délcio Albertini, Zeppe Michetti, Érico Gripp, Carlinhos, Nilsinho, Tia Nice, Julinho Pacheco, Cesar, Suca, Julio ...

Um certo carnaval carioca foi o enredo que prenunciou  o Romanceiro da Inconfidência, que deu o primeiro lugar à escola no carnaval de 76, desbancando a Vilage com seu também glorioso O Guarani, mas como dizem os conhecedores de carnaval, os deuses da folia se encarregam de corrigir as injustiças dos resultados. Em 1977, as Braunes se esmerou para apresentar O Mundo Maravilhoso do Picadeiro. Um imenso elefante foi confeccionado como alegoria, a Ala Sambrasa caprichou na fantasia, Cecília Bevilacqua bordou o seu pano da costa e veio de baiana, luxuosa e deslumbrante, mas foi a Unidos da Saudade quem ganhou o título, com um enredo que falava da arte popular brasileira.



Neste mesmo ano, resultado da fusão entre  Império de Olaria, Terreirão e  Rancho Flor do Sertão, a Imperatriz de Olaria faz sua estréia com o enredo  As Lendas das Pedras Verdes, com figurinos luxuosos e a presença do trovador e poeta Rodolfo Abud, e também Heloisa Brandão, Cleunir Ribeiro, Cyrléa Neves, Elton Ribeiro,  Toquinho,  todos sob a liderança do saudoso David Urias.
Ainda naquele ano, 1977, Tião Mercedes, outro personagem importante do carnaval da Imperatriz de Olaria, compõe o grito de guerra da escola, numa clara demonstração de amor à sua comunidade. 
Ziriguidum, Mestre Lambari ! Como é bom lembrar de um tempo em que figuras importantes como você se dedicavam incansavelmente ao carnaval friburguense, sem receber nada em troca. Ziriguidum!Mestre Lambari! Ziriguidum!

Um comentário

Helena Coutinho disse...

Que saudade!!!
Como eu sinto falta da nossa Acadêmicos das Braunes!!! Linda matéria.

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