NOVA COLUNA: ZIRIGUDUM
O Portal Samba Friburguense apresenta seu novo colunista, o Jornalista e colunista do Jornal a Voz da Serra David Massena que estréia sua coluna ZIRIGUIDUM, uma crônica que contará um pouco da história do carnaval Friburguense.
Sou de um tempo em que o carnaval era mais purista, mais criativo, temperamental e tudo. Quem torcia por uma agremiação era capaz de desencarnar numa quarta-feira de cinzas por conta do samba atravessado ou de um carro alegórico quebrado ao entrar na avenida. Os corações tinham cor, porque a vida após o natal era só carnaval. Dia e noite nos barracões improvisados, linhas nas agulhas, paetês que construíam mosaicos miçanga a miçanga, goma arábica, papelão, isopor e muito amor na construção de alegorias e fantasias. Tempo em que existiam alegorias de mão, e harmonia era mantê-las no alto, na cadência do samba, sem deixar de lado o gogó que atingia as mais difíceis notas musicais e tons para não tirar o brilho da escola.
É claro que o tempo passou e o carnaval se adequou à modernidade, às inventivas tecnológicas que construíram mecanismos de efeitos quase inacreditáveis aos nossos olhos, que misturam emoção e encantamento, em linguagens por vezes apenas estéticas mas capazes de materializar os sonhos. Carnavalesco sonha, diretoria embarca nos delírios quase impossíveis, comunidade, componentes e integrantes materializam a loucura e o aplauso é a maior glória para aqueles que trabalham abnegados e incansáveis quando a imaginária cortina da avenida se abre.
Eu me lembro como fosse ontem da Unidos da Saudade cantando As Quatro Estações do Ano, em enredo cuidadosamente trabalhado por Alaelson Correia, com samba de Zezinho Bizzotto. No mesmo ano, a Vilage trouxe Luzes da Ribalta e Francis brilhou em proscênio improvisado num carro alegórico. Depois vieram outros carnavais, assinados por artistas maravilhosos e mãos hábeis de costureiras das comunidades que davam forma ao sonho, como as bordadeiras das fantasias de Eduardo Rodrigues, as irmãs Emerick, em especial a Rosa, uma fada capaz de produzir obras de arte que mereciam figurar em museus.
Gilberto Leitão, Miguel Angel Rotondaro, grandes mestres que com ousadia promoveram a primeira grande revolução no carnaval friburguense, inspirados em Fernando Pamplona, Maria Augusta, Arlindo Rodrigues e Joãozinho Trinta, e mais Wilma e Milton Rangel, Milne – o Garrafão, Cici Macarrão, Flavinho, Romeu Azuren, Gilson Raposo, as irmãs Braziliense, lideradas pela incansável Jeniffer, Piná, Cláudio Lamblet, entre tantos outros que fizeram brilhar o roxo-e-branco da Unidos da Saudade, naqueles dourados anos 70.
Com a licença do mestre Sargentelli, o inventor do jargão “ziriguidum”, vou desfiando as lembranças de um tempo em que o batidão do surdo me arrepiava e enchia a alma de expectativas, a espera do que viria pela avenida, na grande ópera carnavalesca das escolas de samba.
Sou de um tempo em que o carnaval era mais purista, mais criativo, temperamental e tudo. Quem torcia por uma agremiação era capaz de desencarnar numa quarta-feira de cinzas por conta do samba atravessado ou de um carro alegórico quebrado ao entrar na avenida. Os corações tinham cor, porque a vida após o natal era só carnaval. Dia e noite nos barracões improvisados, linhas nas agulhas, paetês que construíam mosaicos miçanga a miçanga, goma arábica, papelão, isopor e muito amor na construção de alegorias e fantasias. Tempo em que existiam alegorias de mão, e harmonia era mantê-las no alto, na cadência do samba, sem deixar de lado o gogó que atingia as mais difíceis notas musicais e tons para não tirar o brilho da escola. É claro que o tempo passou e o carnaval se adequou à modernidade, às inventivas tecnológicas que construíram mecanismos de efeitos quase inacreditáveis aos nossos olhos, que misturam emoção e encantamento, em linguagens por vezes apenas estéticas mas capazes de materializar os sonhos. Carnavalesco sonha, diretoria embarca nos delírios quase impossíveis, comunidade, componentes e integrantes materializam a loucura e o aplauso é a maior glória para aqueles que trabalham abnegados e incansáveis quando a imaginária cortina da avenida se abre.
Eu me lembro como fosse ontem da Unidos da Saudade cantando As Quatro Estações do Ano, em enredo cuidadosamente trabalhado por Alaelson Correia, com samba de Zezinho Bizzotto. No mesmo ano, a Vilage trouxe Luzes da Ribalta e Francis brilhou em proscênio improvisado num carro alegórico. Depois vieram outros carnavais, assinados por artistas maravilhosos e mãos hábeis de costureiras das comunidades que davam forma ao sonho, como as bordadeiras das fantasias de Eduardo Rodrigues, as irmãs Emerick, em especial a Rosa, uma fada capaz de produzir obras de arte que mereciam figurar em museus.
Gilberto Leitão, Miguel Angel Rotondaro, grandes mestres que com ousadia promoveram a primeira grande revolução no carnaval friburguense, inspirados em Fernando Pamplona, Maria Augusta, Arlindo Rodrigues e Joãozinho Trinta, e mais Wilma e Milton Rangel, Milne – o Garrafão, Cici Macarrão, Flavinho, Romeu Azuren, Gilson Raposo, as irmãs Braziliense, lideradas pela incansável Jeniffer, Piná, Cláudio Lamblet, entre tantos outros que fizeram brilhar o roxo-e-branco da Unidos da Saudade, naqueles dourados anos 70.
A Rampa do Mercado de São Salvador vai ficar na história...com Glória de Carmem Miranda a atravessar a imensa porta esculpida em isopor e que num toque mágico se abria para a Unidos da Saudade transformar a Avenida Alberto Braune num mar de gente, ao som dos pratos de Luizinho Brasil, numa cadência e numa alegria capazes de tocar a alma.
Eu me lembro...eu estava lá! Ziriguidum!

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