ZIRIGUIDUM


Em 1981, Eduardo Rodrigues criou polêmica no carnaval. Seu enredo para a Acadêmicos das Braunes : Sim , Sou...Mas quem não é ? foi mal entendido pelo público que nem sabia do que se tratava. Falava do brasileiro, profissão: sonhador.A verde e rosa caiu para o quinto lugar.


Já em 84, a Saudade homenageou Joãozinho Trinta, o arquiteto da avenida e levou o público ao delírio, seguido pela Imperatriz que cantou o Mundo da Fantasia. Em 85, a cantora Marlene foi tema das Braunes. Marcou presença emocionada, trouxe seu fã clube a Friburgo, o carnavalesco Max Lopes, do rio, desenhou os figurinos, mas mesmo assim amargou o último lugar. Neste mesmo ano, Grande Otelo foi o enredo da Vilage e Dorival Caimmy, o da Unidos da Saudade. Mas foi a Imperatriz quem arrebatou o título com o enredo As Estrelas do Samba no Berço da Apoteose.


Eduardo Rodrigues, Francis, Deneu Mury, Alaelson Correia, Luis Cláudio Monteiro Alves, Gilberto Leitão, Miguel Rotondaro, Romeu Azuren , eram os carnavalescos daquele tempo e cumpriam seu papel com brilhantismo, apesar das dificuldades na aquisição dos novos materiais. O carnaval friburguense havia adotado o modelo da época, com pequenas esculturas feitas a mão em isopor, carros alegóricos planos e pequenos, painéis de fundo e cabeças de cucas forradas ou tendo como base a palha, adquiridas em Santa Rita da Floresta, próximo a Cantagalo. A maior ousadia eram as esculturas maiores, montadas sobre armação de bambu e tela de arame e recoberta por papear maché ou papelão. Eram verdadeiras obras de arte, mas eram artesanais demais para um mundo tecnológico que acenava de longe.


Em 1986, o carnaval foi da Saudade com seu Sonho de Criança, a Imperatriz homenageou o campeão das passarelas de luxo, Evandro de Castro Lima, a Vilage casou Deuses nas Terras da Esperança, Martinho da Vila ganhou homenagem da Alunos do Samba e as Braunes fez seu último desfile, falando da Ditadura Militar, do exílio, da necessidade da abertura política e das Diretas Já! Apesar do tema polêmico e atual para a época, a escola nunca mais desfilou.


Elói Machado era conhecido pelos muitos prêmios nos concursos de fantasia do Tamoio Clube, do Teatro Municipal, do Hotel Glória, organizados por Belino Mello e Arnaldo Montel. Na categoria originalidade masculina, não havia quem o desbancasse. Era também auxiliar de grandes carnavalescos no Rio e havia trabalhado na Mangueira em 1986, ao lado do mestre Max Lopes. Em Nova Friburgo era amigo deste colunista, do Francis, e por várias vezes marcou presença na comissão julgadora de concursos de beleza. Elói amava Nova Friburgo. Gostava de sua gente simples, da paisagem , da qualidade de vida e se encantava com a matéria prima existente aqui, como os galões da Ypú, as rendas e filós da Arp, as passamanarias da Hak, a lycra da Filó e mais do que isso, a mão de obra especializada que era sub utilizada pelas escolas de samba.


Em 1987, Elói assinou com a Alunos do Samba, pelas mãos do presidente Siqueira e para surpresa geral, mobilizou a comunidade de Conselheiro Paulino, espalhou uma alegria e uma contagiante emoção no bairro. Envolveu comércio, indústria, famílias, instituições e trouxe para a avenida o enredo Historiada Tupiniquim, promovendo a grande revolução do carnaval friburguense.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.