PAPO DE SAMBA ESPECIAL 2 ANOS

O SAMBA FRIBURGUENSE entrevista um dos maiores intérpretes de Nova Friburgo. Marcello Pinguim fala sobre sua carreira,seu amor pela Acadêmicos das Braunes, seu Programa na Tvc News, polêmicas e carnaval.

Pinguim é um dos intérpretes da Vilage no Samba, apresentador de tv, e faz parte da diretoria da LIESBENF.



Ficha Técnica

Nome completo: MARCELLO POLÍTICO PENHA

Idade: 43 ANOS

Escolas por onde passou:


Acadêmicos das Braunes ( ritmista mestre de bateria e uma vez intérprete ), Vilage no samba ( ritmista e intérprete), Imperatriz de Olaria( intérprete ), alunos do samba ( ala de apoio no período Elói Machado e intérprete dois carnavais ), unidos da saudade ( um ano como intérprete ), unidos do amparo ( um ano ritmista ), brotos e coroas ( mestre de bateria e ritmista , unidos do arco íris ( intérprete um ano ), vai quem quer ( ritmista – meu primeiro desfile 1978 ) e intérprete e diversos blocos como ritmista nos tempos de mestre cabrita ) ufffaa!


Títulos: ALGUNS.





SF - Como foi o inicio da sua carreira no carnaval?

P - Em 1978 desfilei como ritmista no vai quem quer levado pelo meu pai e em 1979 desfilei na bateria da Acadêmicos das Braunes (saudades) já gostava de carnaval, pois nasci e fui criado na Avenida Alberto Braune sempre acompanhando o movimento carnavalesco. Daí para participar e me apaixonar foi um pulo.

SF - Vo
cê participou de um grupo de pagode friburguense que foi um sucesso, chego a dizer que foi um dos maiores, conte um pouco dessa história.

P - O grupo coisa de pele não foi somente um grupo, mas considero um movimento que levou o samba aos melhores clubes da cidade, fez muitos casais se apaixonar e causou muitos casamentos ( risos ) mas também destruiu alguns( risos ). O grupo trouxe muitas atrações na imperatriz de olaria como, por exemplo: Jorge Aragão no período em que era compositor e lançava seu primeiro disco solo Raiz e flor. Tudo foi muito bom e a cidade respeitou pela primeira vez um movimento que não era ligado á característica da cidade na época. São muitas histórias e um significado muito importante para todos os componentes, é indescritível! . Talvez pessoas da época
possam falar com mais precisão e menos parcialidade sobre isto tudo, pois me considero muito suspeito. A única coisa que tenho é muita saudade!

SF - E sua relação com o carnaval Friburguense?

P - Acho que é legal. Hoje sou menos participativo, pois tenho outras prioridades e acho que a pessoa tem que ter um tempo muito disponível e muita competência para se envolver com a administração de uma agremiação, pois conciliar família, trabalho e samba não é para qualquer um, principalmente quando se é uma pessoa responsável. Agora estou na chapa de José Duarte para a liga e no momento que escrevo estas respostas fiquei sabendo que a chapa foi vitoriosa. Porém, fiquei sabendo que pessoas ligadas a uma agremiação foram contra a minha participação. Isto é uma ducha de água fria, pois não troquei mais de 10 palavras com ela e já recebo críticas em público sobre meu caráter. Isto que afasta as pessoas de bem do samba. Em fim, fico satisfeito, pois toda unanimidade é burra segundo Nelson Rodrigues.

SF - Desde quando o Marcelo Político é Marcelo Pingüim?

P - Desde 1976, quando a máquina tricolor (salve Fluzão!), foi bi campeão carioca e meu vizinho e amigo Gustavo Valadares achou que eu era parecido com um Pingüim, pois naquela época tinha cabelos grandes e escorridos de tão liso, nariz grande e era magro ( por incrível que pareça).
SF - Como surgiu a proposta da Vilage no Samba?

P - É um casamento antigo, pois tive o privilégio de nos anos 80 (não me recordo o ano) tive a felicidade de ser um dos intérpretes do samba juntamente com o Augustinho, Marcos Moram e Pedro Luiz (famoso quem!) da Tradição e conseguimos fazer parte de um título histórico que tirou a escola da fila depois de 23 anos (igual ao Botafogo !). Em 2007, fui dispensado pela Unidos da Saudade quando lá cantei somente um ano. Fiquei triste, mas realizei uma vontade, pois até então era a única escola que eu não tinha desfilado em Friburgo. Daí veio o convite do Jefinho quando eu estava em conversa com outra agremiação. Enquadrei-me na filosofia da escola, já que tinha a fama de encrenqueiro (se ter personalidade for isso sou mesmo!) e passei a fazer parte do carro de som tendo um segundo lugar e um bi campeonato. Pretendo encerrar por lá, pois acho que no momento estou adaptado e cansei de ficar de galho em galho. Mas o destino a deus pertence.


SF - E a idéia do PROGRAMA BART PAPO?

P - É antiga. Desde que comentei dois carnavais pela TV Zoom tinha este formato na cabeça e quando vi que levaria jeito para a coisa, levei a idéia a emissora, mas o custo lá era muito alto. Ano passado veio o convite da TVC para fazer um programa por lá e para não criar atritos com o Mesquitinha e o Chiquinho Garcia que estavam por lá fazendo o programa de samba sugeri esta proposta, em não só falar de samba. A proposta foi aceita e com um custo que foi legal eu e o meu parceiro Pablo Machado colocamos o programa no ar. A tristeza é que justamente em um momento em que o Chiquinho e o Mesquitnha (não sei se no momento não entenderam, ou não esperavam a proposta entrar no ar), e também tiveram outros motivos, ficaram chateados. Na época ficou um pouco esquisito, mas como somos pessoas adultas e já estamos experientes, tudo foi superado e o importante é que a amizade e o respeito não foram quebrados (graças a Deus!), pois estou em uma fase da minha vida que é de agregar e não perder nada, perder um centavo, um real, um amigo, um jogo de purrinha não é legal para ninguém, pena que o mundo atual esteja proporcionando tantas divergências e deixando o raciocínio das pessoas tão materialista.

SF - O que você mudaria no carnaval friburguense?

P - Muitas coisas, a programação, desfiles, organização, enfim muitas coisas, pois entendo que o carnaval em Friburgo deva ser tratado em um todo e não somente em termos de desfiles. Tenho muitas saudades da época em que não se passava pelas calçadas da Alberto Braune e blocos tradicionais desfilavam nas praças e ruas simplesmente pelo prazer de brincar o carnaval (bloco de rascunho e fala meu louro, como exemplos). A mudança é muito grande, envolve um convencimento por parte das pessoas em não deixar a cidade nesta época do ano para passar o carnaval na praia. Acho que este dia pode chegar, mais o trabalho é muito grande e deve ter um alto grau de comprometimento e solidariedade por parte de todos que fazem o carnaval, pois exigiria muitos sacrifícios pessoais e de agremiações em prol da festa, mas não é impossível. Acho também, que o samba tem que ter renovação ( eu falei renovação!) . Tem que ter o samba na veia, gostar do espetáculo e ter parceria por parte dos diretores e comunidade. Primeiro conhecer o processo para depois participar. É muito triste quando eu ouço como neste ano um presidente de uma agremiação me declarar ao fim do desfile que a sua vida acabou devido ter aceitado este desafio, ainda mais quando se trata de uma pessoa séria, competente e querida como ele (não vou citar o nome). Isso não pode acontecer nunca, pois uma administração de uma escola tem que ser feita por um grupo que conheça a coisa e tenha lastro. O ônus tem que ser de todos para que o bônus também seja. Talvez este seja o sucesso dos vencedores.

SF - Com a possível volta da Unidos do Amparo, e de alguns blocos de enredo, você é a favor do grupo de acesso no carnaval de Nova Friburgo?

P - Não, pois não temos cultura para isso. Porque estas agremiações ficaram fora do carnaval por alguns anos ? Você acha que todos estão preparados para descer? Tudo é bom quando se ganha, mas quando não se está preparado para perder é complicado. Será que todas as agremiações estão preparadas para aceitar os resultados e respeitá-los quando a coisa ficar feia para elas. Provavelmente sem querer dar uma de futurólogo o que iria acontecer é que em represália ao resultado anterior não desfilariam no ano seguinte e o círculo vicioso e o esvaziamento começaria novamente.

SF - E da construção do Sambódromo? Você tem alguma sugestão de local?

P - Sou contra. Como disse anteriormente é preciso resgatar a festa primeiramente. As escolas e blocos sem restrições estão maravilhosas e a tendência pelo que se ouve falar é que no próximo ano a coisa vai ficar ainda melhor, mas isto já está sendo divulgado? Só as pessoas do meio é que estão cientes do que será. Não adianta fazer sambódromo se não tem público, e afirmo, não tem público. O que aconteceu este ano foi uma distribuição de arquibancadas que concentrou todo o público em determinados lugares, mas quando as escolas passavam a avenida ia esvaziando. Na medida em que as escolas que interessavam ao público passavam o público diminuía. É inadmissível ver a Saudade desfilar com a quantidade de pessoas que estavam na Alberto Braune, cadê o público? A estrutura tem que ser profissional. Duas concentrações (Igreja Matriz e IENF) dois carros de som, o desfile com mais agilidade para dar mais conforto para todos (desfilantes e público), pois acabou aquele negócio de queres desfilar em três escolas. A TV e o conforto de casa são recursos que não podemos desprezar como fatores de esvaziamento também.

SF - Um desfile inesquecível?

P - Meu primeiro ano cantando na Acadêmicos das Braunes ( quando se desfilava também na terça-feira ) naquele ano perdemos o esteio da escola que era o José do Patrocínio (um baluarte da escola e do samba Friburguense) e na terça-feira quando subi para cantar (pois não valia pontos), realizando uma vontade dele caiu uma tempestade como lágrimas caíssem do céu. Foi emocionante!

SF - Um samba inesquecível?

P - Todos da Acadêmicos das Braunes.

SF - Carro de som dos sonhos, o Dream Time?

P - Não existe. O que existe é combinação de vozes e cada um no seu cada qual. O clima é que tem que ser legal e afinado é claro! Tem que se ter respeito. Vaidade só atrapalha e não quero ser mais uma vez Mãe Dinah, mas um exemplo disso virá do Rio de Janeiro. Acho que tem Dream Time que não chegará até a avenida. Falei demais já!

SF - Um ídolo no carnaval?


P - Curti muitos intérpretes como: Haroldo Melodia, Rico Medeiros , sobrinho , Jamelão e hoje temos grandes intérpretes como o Nêgo e o Wantuir por exemplo e grandes valores chegando como o Zé Paulo, mas acho que o grande nome do carnaval hoje chama-se Neguinho da Beija flor pelo seu trabalho , competência e exemplo de fidelidade a uma agremiação e vida.

SF - Uma escola de samba?

P - Não tenho uma em Friburgo, pois a minha não existe mais (Braunes ), no Rio é impossível para quem gosta da festa deixar de gostar de alguma, porém, as escolas de Madureira me trazem um fascínio pelas suas histórias e tradições (respeitem quem pôde chegar aonde a gente chegou. ) se é que vocês me entendem ?

SF - Um bloco?

P - Todos


SF - Em 2009, você continua na Vilage?

P - Espero que sim. Como já disse anteriormente quero encerrar por lá. Será que vocês sabem alguma coisa que eu não sei, pois achei a perguntas com um tom de maldade (Risos). O samba é um meio em que se tem muita fofoca, é preciso ter experiência para administrar isso e tenho certeza que a diretoria da Vilage é madura o suficiente para rechaçar qualquer tipo de maldade. Estou feliz lá , minha família gosta da escola e acho que hoje conquistei a confiança das pessoas. Tenho a consciência da minha importância para a escola e do meu lugar e papel.


SF - Qual samba você gostaria de ter cantado na avenida?

P - Muitos, porém sambas que marcaram a história do carnaval Friburguense como: Romanceiros da Inconfidência e o Circo (Braunes), as quatro estações do ano e venha cá meu preto (saudade), minha cabeça é um mar de poesia... (Imperatriz). Estes são que gostaria ter tido o privilégio. A sorte é que estou na Vilage e os grandes sambas que pintam por lá me saciam esta vontade.

SF - E qual você defendeu na quadra e não foi para a avenida, mais em sua opinião seria uma grande obra na avenida?

P - Um ano na imperatriz em que o carnavalesco foi o Ney Ayan. O enredo era cópia da União da Ilha (festa de Baco ou coisa assim ) tínhamos um samba muito bom feito pela rapaziada do coisa de pele . Não levamos aquela e acho que a escola deixou de ter um grande samba na avenida. Isso “amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir” é natural nem sempre se ganha. Já cansei de cantar sambas em quadra e perder para inferiores, isso é que me levou a não cantar mais sambas em concursos, pois não vale a pena se desgastar e se aborrecer com estas coisas. O dinheiro que se ganha aqui em Friburgo não compensa este tipo de desgaste, pois apesar de muitas vezes não ser autor da obra o envolvimento emocional é inevitável.


Deixe um recado para todos os sambistas de Nova Friburgo:

Lutem sempre por um carnaval cada vez melhor e muita paz! Abraços aos amigos do Blog Guto e Rafael e contem com o Marcello Pinguim e o Programa Bart Papo sempre. Não esperem eu oferecer, pois a minha cabeça não é um mar de poesia mais sim de compromissos e tarefas, pois cobra que não anda não engole sapo.

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