Coluna do Guto

Breve história dos intérpretes de samba enredo e alguns paradigmas do mundo do samba

A historia se passa nas décadas de 30, 40 e 50 do século passado, onde ainda não existia a figura do "puxador de samba", época em que o samba era cantado por pastoras, mulheres que ficavam próximas ao palanque onde ficava a comissão julgadora. O samba era de improviso. As pastoras cantavam a primeira parte e a segunda parte do samba ficava a cargo dos versadores ou mestres de canto, os precursores dos puxadores de samba, isso ocasionava numa verdadeira miscelânia de sambas, já que a parte da escola mais próxima ao palanque cantava o samba certo e a parte de trás cantava o que pessoas da "harmonia" que iam na parte da frente da escola cantavam. Resultado: um verdadeiro telefone sem fio. Eis que surge Jamelão, voz potente, forte, que ainda nessa época cantava sem microfones.

Com a evolução e crescimento do carnaval, Natal da Portela teve a idéia de trazer uma carro de som para amplificar as vozes de suas pastoras e seus mestres de canto, surgindo então a denominação "puxador de samba", onde o homem é encarregado de coordenar o canto da escola.

No ano seguinte a Portela amplificou o som através de uma rádio, que captava o que era cantado e transmitia ao longo da avenida. Outras escolas, como Império e Mangueira, traziam carros de som cada vez maiores e Jamelão se consolidava cada vez mais como "a Voz do Samba".

O passar dos anos determinou alguns paradigmas no carnaval:

1- mulheres não podem ser intérpretes oficiais de uma escola, apenas fazem parte do apoio:

Há uma explicação científica para esse paradigma: mulheres possuem menor resistência vocal aos 83 minutos de desfile, devido à musculatura das pregas vocais. Porém (Ah! Porém...) um fato intriga: na história do samba enredo, vimos as pastoras, que eram as pessoas que realmente seguravam o canto da escola, por que isso hoje não é mais explorado pelas escolas?

Como diria Arlindo Cruz e cia, em 2006, "a história do samba mudou" e quem não mudou também, ficou pra trás. mulheres como Eliana de Lima e Elza Soares, com timbre forte, tiveram suas chances e foram muito bem.


2- andamento da bateria

Na época das pastoras e mestres de canto, a bateria tinha um andamento completamente diferente do que vimos e ouvimos hoje. Convenhamos, justifica-se pelo fato de se ter hoje em dia uma média de 3700 componentes, num limite de 83 minutos por escola. Ou seja, nesse aspecto é inviável a comparação de um desfile de ontem com o de hoje em dia, já que a inclusão de alguns quesitos e novas visões de marketing e mercado tornaram o carnaval um pouco mais impessoal.
E para muitos saudosistas o carnaval perdeu a graça, a alegria de brincar.

3- composições e intérpretes
Segundo alguns estudiosos do Carnaval, temos hoje em dia sambas de qualidade inferior aos sambas de antigamente (leia-se antigamente década de 70, 80 e início dos 90). Segundo os mesmos, sambas-enredo hoje são todos iguais, mesma métrica, mesmas escalas dos tons, mesmo tudo, só muda o enredo. Isso explica o fato de sambas reeditados terem desempenho tão bom nos dias de hoje.

Ainda temos bons compositores, como Cláudio Russo, Lequinho, André Diniz, Gusttavo Clarão, Arlindo Cruz, dentre outros, realizando obras dignas de entrar pro hall da fama do carnaval. Mas compositores como Beto Mussa e Mauro Diniz, que ainda fazem sambas na linha antiga, não se sagram campeões talvez por medo que as escolas têm de possíveis críticas, ou por falta de ousadia, pois como sabemos, décimos podem mudar toda a ordem do carnaval.

Quanto aos intérpretes, poucos foram os que acompanharam parte dessa mudança: Jamelão, Neguinho da Beija-Flor e Dominguinhos do Estácio. Digo que eles acompanharam parte dessa mudança, já que após a década de 80 e principalmente na década de 90 e início dos 2000, os sambas se adaptaram aos formatos dos intérpretes e não mais o contrário. Os outros intérpretes "das antigas', não tiveram vida muito longa após o alerta feito pelo Império em 1982, Bum Bum Paticumbum Prugurundum já previa a era em que as "Super-Escolas de Samba S.A." engoliriam os menos preparados. Bons os antigos também eram e ainda são.

Vimos surgir novos "semi-mitos" do canto de samba enredo, Nego, Wantuir, Jackson Martins, Wander Pires e outros, representantes dessa nova cara do samba, onde cada vez mais o preparo e a dedicação permanente reflete a nova cara do samba enredo, e conseqüentemente, do carnaval como um todo.

Comentem, deixem suas opiniões e façam pedidos de sambas antigos!

Breve análise e comparações de sambas!

Forte abraço e um ótimo 2009 para todos!

Vamos Juuuntos!!

8 comentários

Anônimo disse...

Parabéns ao Blog do Samba que além de dar uma aula de Samba para muitos nessa cidade, trás sem dúvida a garantia da renovação do carnaval friburguense com essa 'garotada' culta e apaixonada por samba.Bjs a todos. Valeu pelo carnaval informação.Rsss...

Unknown disse...

grande guto,parabéns cara belo material,um samba antigo?deixa eu pedir!

os cinco bailes da história do rio

Império Serrano,é lindo demais!
fica com Deus e feliz ano novo

Anônimo disse...
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Redação disse...

Já dizia o poeta: " demorou mais abalou ", parabéns... que show que show... rsrsrsrs

Rafael de Caxias

Guto disse...

Grande Bruno!
Enviei o seu pedido por e-mail!!
esse grande samba na voz de Martinho da Vila!
grande abraçoa e ótimo ano novo pra você!

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Não poderia deixar passar em branco... neh??? Meus parabéns Guto pela Grande matéria e tb quero deixar aqui meu pedido de samba... Império Serrano (Mãe baiana Mãe - 1983)e Unidos da Ponte (E eles verão a Deus - 1983) obras primas!!! fica com deus e otimo 2009!!!! VLW GUTO e Rafael !!! VLW Samba Friburguense!!!

Guto disse...

fala meu grande mestre Evandro Malandro!!
seguinte, seus pedidos já foram enviados pro seu hotmail!! encare esses sambas como um singelo presente de aniversário!! rsrsrs
abração brother!

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